O que esperar da Terceirização da Coleta de Lixo em Avaré

A Bigorna 19/02/2019 23:50:00 2240 visualizações
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*Por Leonardo do Espírito Santo

A semana começa e as rodas de conversa listam, como um dos principais assuntos, o início dos trabalhos terceirizados de coleta de lixo em nossa cidade. Apesar de não querer parecer negativista, uma simples análise mostra que a possibilidade de problemas sérios em breve podem se abater sob o cotidiano do avareense médio.

Digo isso porque a decisão de se transferir a responsabilidade da retirada do lixo urbano dos lares para uma empresa privada está atrelada a outra que, ao menos uma parcela da população, não está levando em consideração: a realização desses trabalhos não é gratuita, mas paga pela Prefeitura a cada mês. Religiosamente. Sim, pois como se sabe, uma empresa privada, diferente dos setores do Município que se sentem atrelados aos serviços mesmo estando com salários e benefícios atrasados, cessa a prestação de seus trabalhos se não recebe para tanto. Imaginemos o seguinte cenário: a cidade de Avaré, Estância Turística de São Paulo, com sacos e mais sacos de lixo acumulados em cada esquina, dia após dia, e uma onda de mau cheiro a se espalhar pelo centro da localidade. Nessa situação, logicamente, sobrará aos funcionários da Prefeitura, anteriormente deixados de lado, a tarefa de retirar esses resíduos das vistas da população. Assim, as mesmas pessoas anteriormente classificadas de “indispostas, incapacitadas e sem comprometimento” pela atual gestão serão, inevitavelmente, as salvadoras do dia que se aproxima.

Os trabalhadores da coleta de lixo da cidade sempre participaram ativamente das conversas realizadas no sindicato. Eles sempre estiveram a postos na defesa dos interesses dos trabalhadores de forma coletiva. Sim, estes funcionários que, apesar de não contarem com o mínimo do mínimo para exercerem suas funções - como os chamados Equipamentos de Proteção Individual - sempre se mostraram prontos a desenvolver as funções determinadas; servidores que, mesmo não usufruindo de auxílios possíveis, como licenças-prêmio ou férias, sempre estiveram em seus postos de trabalho; pessoas que, após acumularem horas e horas de serviço pesado, trazem consigo, hoje, doenças de pele adquiridas devido ao contato com materiais tóxicos e, também, problemas na coluna e em outras áreas do corpo. Esses são avareenses, os trabalhadores “incapacitados, indispostos e que sem comprometimento” que fizeram, até a última semana, a manutenção daquilo que vocês não querem em suas casas.

Temos fé de que a gestão pública de nossa cidade zelará de forma nunca vista pelas quantias a serem repassadas para a empresa terceirizada, da mesma forma que age com os fornecedores em geral. Que continuemos a não ter dinheiro para comprar papel higiênico para a maior parte de nossas repartições, visto que todos os caraminguás possíveis serão reservados para quitar a coleta do lixo doméstico avareense.

Em tempo: Lembrei-me de que a empresa PROVAC, que locava os caminhões para a coleta de lixo anteriormente, espera, há sete meses, receber o montante de R$1,5 mi de alugueis atrasados por parte da Prefeitura.

*Leonardo do Espírito Santo é o atual presidente do Sindicato dos Servidores e Funcionários Públicos Municipais de Avaré e Região

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