O Palhaço 9º Capítulo

A Bigorna 24/03/2018 10:38:00 170 visualizações
# legenda: 5º Episódio

Toda a investigação de quase seis meses batia com tudo o que o delegado Matias havia lhes contado. Na delegacia, os dois resolveram fazer um relatório ao delegado, sem mencionar Matias que, naquele momento, estava na casa de Tonhão.

Débora tirou todos os papeis e mostrou ao parceiro.

“Veja os cruzamentos, as datas, como os crimes foram realizados, todos do mesmo modo, só que a distância e a falta de comunicação acabaram por deixar este monstro ainda solto. Tenho algo que você precisa saber Antonio.”

Tonhão que ainda lia às páginas digitadas com esmero por Débora parou por um instante, fitando-a assombrado.

“Pois então, diga.”

 

***

O carro saíra antes do amanhecer.

Era um dia especial. Tudo estava dando certo, até ver que algo de errado poderia ocorrer caso não tomasse a dianteira dos fatos. O ato final era seu passaporte para o inferno e a degradação moral de tudo que todos acreditam. O mal é uma essência que é dada a poucos, e ele sentia-se não mais um ser-humano, mais algo sublime na cadência de perpetuar a dor e o sofrimento.

Devagar para não chamar a atenção ele cruzava as avenidas e ruas. Numa casa alguém não o esperava.

Surpresa.

***

“Ele não mata policiais.”

O jeito como reagiu mostrou que Tonhão estava ainda absorto num outro universo. O do sofrimento. Ficou olhando para Débora, com os olhos abertos, mas a mente fechada.

Gaguejando Tonhão pediu mais explicações. Débora também fizera uma planilha de todas as vítimas e seus parentes mais próximos. Esticou a mão e entregou a planilha. Tonhão a analisou por muito tempo.

“Mas aqui só mostra quem são as vítimas, e não quem são os parentes.”

Com calma, Débora tirou outra planilha de sua pasta.

“Olhe agora. Acredito que vá entender tudo a partir disto.”

Tonhão olhou os nomes, e por um momento pensou em sair, gritar, urrar. Entre nomes e dados, aos poucos as coisas foram se encaixando. Sozinho e na condição em que vivia nos últimos anos, viu nitidamente que não conseguiria jamais fazer um trabalho versátil e uma investigação tão perfeita como fez sua parceira.

 

***

Um grito.

O tempo é uma fração de segundos milimétricos que podem separar o tudo do nada.

A navalha corta o pescoço com acidez e crueldade. A carótida é um lugar perfeito para se cortar e ver sua vítima agonizar por alguns poucos segundos.

Caído, o delegado Matias segurava a garganta. Em vão, olhava para um homem todo de preto. Por um pequeno instante conseguiu dizer algo.

“Você...”

Engasgando com o próprio sangue seus olhos reviraram pela última vez.

Pronto.

O erro estava consertado.

Ligou o carro e saiu com a mesma tranquilidade. Aquele homem não estava nos planos, mas com certeza, atrapalharia seu trabalho se continuasse a viver.

Zona Norte. Horto Florestal.

As ruas mais distantes das avenidas eram as mais vazias naquele horário, principalmente devido ao inverno que chegara com furor. Era o dia perfeito, a hora perfeita.

A vítima perfeita que tanto ele aguardara.

Ele sorriu.

 

 

 

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