O Palhaço 7º Capítulo

A Bigorna 04/03/2018 11:55:00 285 visualizações
# legenda: Continuação do 4º Episódio

O baque forte assustou os dois que rapidamente pegaram suas armas e desceram até o sótão. Quando Débora olhou para trás viu um homem paralisado, amarelado, travado que não conseguia descer a íngreme escada que rangia a seus pés.

Tic-tic-tic-tac. Um esgar horripilante. Aquele barulho infernal. A morte. A tristeza. O abandono. Tic-tac-tic-tac, o relógio não para. Àquele sótão estranho e perturbador se movia em sua mente. Tudo estava dando voltas. Risos de maldade, estalos noturnos, sofrimento, queda. A Lua sem luar, num estrondo eficaz. Tic-tac, o relógio não para.

Quando viu que Tonhão estava começando a delirar, Débora, após um breve instante, o chacoalhou e ele voltou a si. Recomposto, os dois conseguiram descer. A porta estava dura, já que há tempos permanecia fechada. Com um empurrão, Tonhão, que depois de se livrar da paralisia, conseguia abri-la.

Um homem estava dentro do sótão, ao lado, vestido precariamente e fumando. Os dois mandaram que ele se deitasse no chão, mas foi em vão. Ele tirou uma carteira do bolso e mostrou-lhes uma insígnia.

Débora gritou mais uma vez, mas sem êxito. Aos poucos se aproximaram do homem. Magro, barba por fazer, cabelos castanhos desgrenhados e vestindo um terno surrado que um dia devia ter sido de um dos melhores alfaiates.

O ar escasso era agora ventilado pela pequena janela por qual o homem passou e a pouca luz solar dava um aspecto de um lugar tenebroso.

Tonhão apanhou a carteira da mão do homem, que estava com os braços levantados. Olhou e passou para Débora, quando, por fim, o homem pediu que não ligassem para a central para confirmar sua identidade.

“Por favor, não façam a confirmação. Posso explicar tudo. Se vocês deixarem vazar que eu estou aqui, com certeza serei mais um cadáver que vocês terão que investigar”.

Os dois se entreolharam ainda chocados e indecisos.

“OK. Sente-se e fique sempre com as mãos a nossa vista”. – disse Débora com certa aspereza.

O homem sentou-se no chão sujo e cruzou as pernas, com se ainda tivesse na idade de um jovem. Embora parecesse ter uma idade avançada, notava-se que aquele homem fora alguém que nutria muita energia e vibração jovial. Agora seu aspecto era de um homem ralo, inóspito e insalubre.

Os dois investigadores permaneceram em pé. Observando aquele homem estranho, mas com a sensação de que algo fora do normal estava acontecendo numa manhã fria de domingo.

Antes mesmo de o homem falar, Débora já havia feito uma visualização corporal do homem, para ter certeza, embora não muita, de que ele não estava armado.

Tonhão abruptamente e olhando com muita raiva mandou que o estranho começasse a falar.

“Vai cara. Sem rodeios. O quê você está fazendo em minha casa?”

Quando a resposta veio, os dois se entreolharam estupefatos. Aquilo não poderia estar acontecendo.

 

 

 

 

 

 

 

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