• Variante delta faz Europa temer 'outono sombrio' e rediscutir restrições

    Saúde Pública
    877 Jornal A Bigorna 21/07/2021 12:00:00

    As férias de verão europeu começam a esquentar, mas o continente "caminha sobre gelo fino", para usar a expressão escolhida pela primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, em referência à expansão da variante delta.

    O vírus mutante, cuja capacidade de infecção é no mínimo o dobro da do Sars-Cov-2 original, levou apenas um mês para se tornar dominante no Reino Unido, primeiro país da Europa a que chegou, em abril.

    Em seguida, atravessou o canal da Mancha e hoje está em todos os países acompanhados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na Europa.

    Na previsão de especialistas, a variante delta poderá ser responsável por 70% dos novos casos da Europa em agosto e 90% em setembro, tornando a próxima estação ainda mais sombria.

    O risco é de “um ressurgimento mortal no outono”, segundo o diretor regional da entidade, Hans Kluge. Ele aponta para a combinação entre uma variante mais contagiosa e a maior interação humana: 36 dos 53 países acompanhados pela entidade retiraram restrições no começo deste mês.

    A liberação de viagens turísticas lotou aeroportos, aviões e trens, e grandes eventos voltaram a acontecer. Nas últimas duas semanas, o Festival de Cinema de Cannes reuniu 28 mil inscritos, sem contar os milhares de pedestres que se aglomeraram nas calçadas na esperança de ver celebridades.

    De acordo com relatório divulgado nesta quarta (21) pela OMS, o número de novos casos no continente, que começou a subir na virada de julho, saltou 21% na última semana, embora a cifra absoluta esteja em patamar muito inferior ao do auge da pandemia.

    Internações hospitalares e mortes continuam sob controle, mas Kluge diz que essa aparente bonança pode ser uma ilusão.

    “Já estivemos aqui antes. No verão passado, os casos começaram a crescer entre os mais jovens, e deles passaram aos mais velhos, levando a uma devastadora perda de vidas no outono e no inverno. Não podemos cometer esse erro novamente”, afirmou.(Da Folha de SP)

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